A publicação da nova ISO16890 traz uma alteração à forma como olhamos a Filtragem do Ar. O Eng. Tiago Martins, da AAF – American Air Filter, apresenta na CLIMAnet as principais alterações em relação ao que conheciamos na EN779:2012.
Uma nova vida
Está em curso aquela que será porventura das mais relevantes e impactantes alterações normativas afetas aos filtros de ar para ventilações.
Dentro de aproximadamente nove meses, a EN779:2012, norma referente à classificação dos filtros G1 a F9, será descontinuada e uma nova norma irá “tomar posse”, a ISO16890.
Em termos de classificação e nomenclatura, a norma ISO16890 vai basear-se no tamanho das partículas e quantificação da eficiência de filtragem existindo três grupos:
– PM10, referente a partículas de tamanho compreendido entre 0,3 µm e 10 µm;
– PM2,5, referente a partículas de tamanho compreendido entre 0,3 µm e 2,5 µm;
– PM1, referente a partículas de tamanho compreendido entre 0,3 µm e 1 µm;
Comparativamente à EN779, a ISO16890 irá incrementar o número de classificações tornando o processo mais assertivo, justo e transparente.
Porquê mudar?
Algumas das mais importantes organizações de saúde mundiais, tais como a World Health Organization, EPA – United States Environmental Protection Agency e Umwelt Bundesamt, consideram em documentos oficiais que as partículas PM10, PM2,5 e PM1 são as mais importantes e perigosas para a saúde humana.
Neste sentido, será lógico afirmar que os métodos de teste e classificação seguirão esta abordagem para assegurar que a demonstração da performance de filtragem estará alinhada com o nível de perigosidade das partículas finas.
Mais pequenas, mais perigosas
Devido ao potencial nocivo, cadência e permanência, as partículas de tamanho igual ou inferior a 1 µm são as que requerem mais atenção.
As partículas com diâmetro igual ou inferior a 1 µm são suficientemente pequenas para penetrar nos alvéolos das membranas celulares entrando na corrente sanguínea.
Partículas finas de diâmetro compreendido entre os 0,25 µm e 0,5 µm estão diretamente ligadas à saúde humana, especialmente num risco acrescido de doenças cardiovasculares. Adicionalmente, as partículas finas podem também afetar a regulação do sistema nervoso.
Testes e Capacidades
As diferenças entre a EN779 e a ISO16890 não se esgotam no sistema de classificação. Existem outras diferenças que solidificam a ideia que esta substituição normativa é efetivamente uma evolução na filtragem do ar e consequentemente uma evolução na qualidade do ar interior. Um exemplo é a introdução no processo de teste de uma vaporização de isopropanol para eliminar a filtração de partículas baseadas em forças electrostáticas .
O processo de teste será um verdadeiro desafio às capacidades do fabricante, na aquisição de novos equipamentos dedicados para o efeito e na formação dos técnicos que garantam o escrupuloso cumprimento de todas as regras e práticas de acordo com a ISO16890.
Transposição e Certificação
Mais do que nunca, a existência de programas de certificação especificamente para filtros de ar, como é o caso da Eurovent, vai tornar-se um fator decisivo. A garantia que os filtros de ar possuem a classificação e performance apresentada nas fichas técnicas será uma prioridade.
A transposição da tabela referente à qualidade do ar interior e exterior, de acordo com a norma EN13779, será um passo importante para garantir que na fase de projeto sejam considerados os níveis de filtragem mais adequados a cada aplicação. Também na fase de seleção de equipamentos de AVAC que possuam filtros, como por exemplo, as Unidades de Tratamento de Ar, a introdução de filtros com a nova classificação e a certificação do software de seleção é algo obrigatório pelo que esta nova fase poderá representar uma oportunidade de diferenciamento positivo.
Será razão para se afirmar que a ISO16890 representa uma mudança de paradigma na filtragem do ar possuindo um potencial catalizador para aquilo que é efetivamente o mais importante, a melhoria da qualidade do ar interior e consequentemente da condição de saúde de todos nós.
Elaborado para a CLIMAnet por Tiago Martins (AAF)
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